quinta-feira, 6 de março de 2008

como eu já fui


já fui bonita

já gostei de areia quente nos pés

já acreditei que o futuro só podia sorrir

já fui casta

já fui bandida

talvez banida

resistirei como um cacto ao frio

destoarei como uma magnólia que floresce no inverno

serei feliz cá dentro e encontrarei o princípio no fim


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A Lua e o Sol



A Lua e o Sol
era uma vez uma história para alimentar a esperança...
porque é que o sol e a lua nunca se encontram?
É uma longa história...
há muito tempo atrás, estava o sol a banhar-se no mar quando, de repente, vê um vulto branco, envolto numa luz de brilho ténue. Quanto mais o sol tentava olhar para aquela imagem mais vontade tinha de se aproximar para perceber quem era. Quando finalmente alcançou aquela que viria a ser a sua amada, perguntou:
- quem és tu, esfera branca de olhar tão meigo?
Sou a Lua, respondeu.
Ah, já tinha ouvido falar em ti... parece que raramente nos cruzamos. Costumas andar por estas bandas?
Sim, ando sempre por aqui, e tu? Vejo-te muitas vezes ao longe e confesso que...
neste momento, a Lua afasta-se e parece magoada. Um raio de sol tinha perfurado o seu corpo redondo, o que a fez fugir do Sol.
Este, intrigado, fica impaciente e preocupado com a sua mais recente conhecida. Sente que este encontro foi muito forte e receia não voltar a vê-la.
Acontece que no dia seguinte, um pouco mais tarde do que o habitual, o Sol olha de novo, durante o seu banho de mar e, ali está ela! Linda como no dia anterior ou até mais bela ainda. Com o coração palpitante, olha atentamente e acena-lhe, como quem quer puxar conversa. A Lua sorri-lhe e mostra-lhe o seu curativo, começando a afastar-se lentamente.
Lua! Lua! Não te vás embora, quero falar contigo. Não poderemos ser amigos?
Oh, sim, caro Sol, mas ontem percebi o porquê de sempre me terem prevenido que a tua companhia poderia ser perigosa... desculpa, não queria ofender-te mas, és demasiado quente para mim... oh, desculpa-me!
Não peças desculpa. Eu sei que é verdade. Eu é que não devia ter-me aproximado de ti... sabes, tenho vivido aqui sozinho desde que me separei da minha família. Todos eles ficaram lá longe e eu vim parar aqui, demasiado perto da terra, onde todos me adoram mas ninguém me alcança. Dizem até que começo a ficar perigoso para eles...
oh, pobre Sol. Como é que isso foi acontecer?
Foi uma grande explosão, é tudo o que sei. As minhas irmãs estão em toda a parte mas eu raramente as vejo porque a minha luz não mo permite. Onde eu estiver elas estarão escondidas. Mas sei que me encontraram, apenas não podem vir buscar-me porque sou imprescindível na Terra. Sem mim, todos morreriam. E eu, apesar de aqui tão só, sinto-me um pouco como pai dos terrestres, da sua Natureza.
Oh, Sol, és tão belo no teu coração! Como eu gostaria de ser assim importante na vida de alguém...
Talvez já o sejas mesmo sem saber... - o sol corou e desapareceu no horizonte.
Durante vários dias se encontraram e o Sol sempre a pensar na sua amada Lua e na fragilidade dela. Sabia que apenas se poderiam encontrar ao longe e em hora incerta, porque aquela menina era imprevisível! Como não tinha a importância do Sol, podia passar o tempo sem fazer nada, rebolando pelo ar.
De vez em quando lá tentavam aproximar-se mais um bocadito mas, resultava sempre em sofrimento para a Lua. Tinham que amar-se à distância.
Um dia, depois de perceber que a Terra girava em torno de si e que do lado oposto era sempre noite, o Sol teve uma ideia...
Sabes, estive a pensar em ti, em nós. Começo a ficar preocupado com essa tua vida de procura de algo que te faça sentir verdadeiramente feliz. Além disso, nunca sei quando volto a ver-te, a que horas apareces e de onde virás. Fico um pouco confuso.
Diz Sol quentinho do meu coração, o que pensaste tu? Deixa-te de rodeios porque está quase na hora do teu banho!
Bom, eu pensei que lá na Terra, segundo me disseram, todos ficam tristes quando eu desapareço e acontece algo a que chamam noite... dizem que tudo fica escuro, sem brilho. Pensei que talvez pudesses... - o Sol faz uma pausa e começa a corar, devagarinho.
Diz, diz! Não vês que vais começar a desaparecer?
Bom, porque é que tu não te pões no lado oposto da Terra e te deixas iluminar pelo meu amor, brilhando nas noites dos que lá vivem?
O Sol põe-se sobre o mar, corado como sempre em dias de Verão, sem obter resposta da sua amada.
A Lua, por sua vez, ficou saltitante de alegria com o gesto do seu amado, entusiasmada com a possibilidade de fazer parte da vida de alguém. No entanto, enquanto saltitava, percebeu que esse era o tipo de coisas que teria que deixar de fazer, já que ao ter um lugar na vida dos outros, teria que permanecer quieta, no mesmo sítio...
eu, sempre parada no mesmo sítio? E as minhas voltinhas sem rumo? O que vai ser de mim? Tenho que dizer ao Sol que talvez me vá embora. Preciso de liberdade.
No encontro seguinte, a Lua estava decidida a despedir-se do Sol e, cheia de coragem, aproximou-se dele para o abraçar uma última vez. BLOOOM!!!....
o calor do Sol voltou a feri-la e ela afastou-se rapidamente, com mais uma ferida visível. Mais uma cicatriz. O Sol ficou sem saber o que fazer e ao mesmo tempo pensativo, pois seria aquela a sua forma de dizer sim??
oh, meu querido, como eu gostava de estar perto de ti! Lamento, mas não poderei voltar aqui. Não sei o que me parece... só a ideia de não poder passear quando me apetece, fazer o que quero quando quero. Desculpa se te desiludi. Este era o meu abraço de despedida.
Mas....
a Lua afastou-se sem que o Sol tivesse tempo de perguntar fosse o que fosse.
O Sol ficou desesperado. Sofreu dias e dias, sonhando com noites brilhantes iluminadas pela sua amada.
Por sua vez, a Lua começou por sentir a sua liberdade como um prazer para, algum tempo depois achar que estava presa a uma saudade infinita. Infinito era também o seu amor. De que lhe servia a liberdade se não era importante na vida de ninguém? Para onde iria ela? Rapidamente descobriu que o seu lugar era perto do Sol, ainda que com a Terra entre os dois. Sem avisar, apareceu na noite, colocando-se o mais perto possível da luz e do calor do seu amado...
o Sol apercebeu-se disso e ficou verdadeiramente feliz, redondo de alegria! Aqueceu o mais que pôde a Terra onde era dia e isso notou-se onde era noite. A Lua estava finalmente a iluminar a escuridão e toda a terra aplaudiu de alegria.
O Sol e a Lua nunca mais se encontraram mas ambos sabiam que o seu amor era infinito e que um sem o outro não poderiam viver.
Com os raios do Sol distantes, a Lua emanava uma luz que parecia ser sua. Com a alegria do amor, o Sol aquecia a Terra e iluminava os dias.
Lá longe, as suas irmãs Estrelas, começaram a piscar todas as noites à volta da Lua, como que dizendo que estavam felizes por este amor .

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

maracougetes


no meu maracujaleiro nasceram estes frutos... maracougetes? transgénicos espontâneos!!

que desgosto...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Agros Bio


mãe: gostaste do iogurte que te mandei para a escola?


filho: ah! não provei...


mãe (completamente transfigurada e louca): não provaste??!! quem é que tu pensas que és? onde é que achas que isto vai parar? sabes que morrem crianças de fome todos os dias e não é só em áfrica?! também há crianças que vão todos os dias para a tua escola sem tomar pequeno-almoço, sabias??!!

(...)


o resto não vale mesmo a pena transcrever. uma mãe descontrola-se com estas coisas quando vê tanta injustiça mundo fora.

eu, particularmente, descontrolo-me com alguma facilidade e rapidamente me transformo numa mulher horrível que quer transmitir valores mais elevados aos seus filhos. paradoxo?

merda!, porque é que não consigo mostrar-lhes as coisas importantes sem deixar de ser a mãe carinhosa e atenta que eles tanto adoram?

detesto começar assim o dia, sobretudo porque sei que exagero nas minhas reacções. bolas, bolas, bolas...


se ele tivesse provado e me dissesse que não gostava, eu aceitava com calma. juro.

tenho a sensação de que exigi demasiado ao meu filho e que o deixei na escola com o coração apertado. mas não deixei de lhe dar o meu abraço "cura todos os males, por enquanto."


espero que ele me perdoe e que aprenda com tudo isto alguma coisa

domingo, 14 de outubro de 2007

Gluck - Che faro senza Euridice - Janet Baker

o que faria eu?

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

logo a seguir descobri isto...

http://imgs.sapo.pt/sapovideo/swf/flvplayer-sapo.swf?file=http://rd3.videos.sapo.pt/TZLOdzFPHpo5bYgiOspo/mov/1

mulheres à beira de um ataque de nervos


lembram-se do filme? pois, o meu enredo não tem nada a ver com isso. mas o título, esse, tem tudo a ver com o meu estado de espírito, ou de saúde... ainda não consegui perceber se sou um caso clínico ou não. "em casa de ferreiro..."


já alguma vez sentiram que podem explodir de cólera a qualquer momento? é mesmo isso, cólera. emoção ligada ao órgão fígado, segundo os orientais. maus fígados, é o que os portugueses adoptaram dessa cultura milenar. eu herdei-os dos meus genes ocidentais. por mais que procure o auto-controlo, energias coléricas assaltam-me a voz que deveria servir apenas para verbalizar palavras de amor, bom senso e compreensão. quem sabe para cantar.

há alguns anos atrás, talvez bastantes (20?), sonhava com um saco de boxe onde pudesse descarregar toda a minha cólera (raiva é uma palavra feia). ainda hoje me faz falta, talvez o compre para ter na garagem.

"porque não consigo parar de comer?" - título de um livro que anda cá por casa, cuja autora obesa é endocrinologista e nos ensina a comer - poderia ser o mote para uma coleção bem longa: porque não consigo parar de berrar? porque não consigo parar de chatear os outros? porque não consigo ser sempre como desejaria ser?... por aí fora. tenho a sensação de que os autores seriam sempre bons exemplos para leitura.


parece muito simples espalhar a mensagem do amor, da solidariedade, da paz, e é. por palavras.


levante a mão quem nunca se desiludiu a si próprio. quem desiludiu os outros nem pergunto porque logo ao nascer já não somos um projecto de ninguém, somos gente.


bem "ajam", de agir